Domingo, Agosto 10, 2008

Sábado, Setembro 30, 2006

Vôo



Folhas balançam
contra o vento das horas
vibra vivo o pensamento
até a flor da primavera

Desenho na janela pequenina
o vôo dos pássaros
desafiando séculos
e fios elétricos

As aves brincam livres
em bandos
barulhentos

trespassam o tempo
a melodia do vento
doce e quente

livre a vida passa

na ponta do lápis
te desenho,
vôo

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Mar





se existisse,
de repente
uma onda de mar
que te alcançasse

uma costa de mar
um triste porto
onde atirado fosse
o meu corpo

se soprasse
seu hálito
como vento
no meu coração,

aportaria como a ave
busca o ninho
tocando seus lábios
como a brisa

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Impossível



Guardo todos antigos beijos
que não lhe dei
alma minha amada
de mim separada


Na lembrança
trespasso meus dedos
nas suas mãos queridas
distantes de mim

E num gesto impossivel
afago-lhe a face
transversa no tempo
meus olhos nos seus olhos
assim

Terça-feira, Julho 19, 2005

Vidraças


Quebrar as vidraças
abrir sua janela
romper a indiferença feito raio
desmanchar as artimanhas
dissolver suas defesas

Incidir em sua mente
como o sol
brilhar
refletir sua verdade
desarmar seus artifícios
desnudá-lo de si mesmo

Sou seu sono inquieto
os tremores ocultos
seu desassossego
que lhe rouba a calma
que lhe diz jamais

Sou a face feita sol na sua alma
Fogo e vento
Que estilhaça seus vitrais

Domingo, Março 27, 2005

Aço



O dia vem
amargo e doce
derrama sobre a terra
indomável
o fogo eterno

Amanhece como sol e aço

Vem com imensa boca
De fornalha
a transformar lágrimas
em chamas

Calcina o homem qual ferreiro enlouquecido

Vem em estilhaços
derretidos na gente
fora da gente
numa guerra metálica
de luta por um dia

O dia vem e Tudo devora e maltrata

Mata em febre
o pobre que cantava
forja em aço
os sonhos de um menino

O dia cresce
sempre

Quinta-feira, Março 17, 2005

Sinos




Dobrem,sinos
dobrem
sem cessar


Despertem
Insistam
Afastem esta noite medonha

Gritem
Espantem
A minha agonia

Chamem
Atormentem
Preciso acordar

Soem
Rebentem
Tirem-me desta aflição

Explodam
Em mil pedaços
Minhas correntes!

Sábado, Março 12, 2005

Fome

Fome

Não como
Estas migalhas
Vindas do acaso
De tuas mãos

Minha fome
Não é submetida
Ao desdém
De tua generosidade

Domingo, Março 06, 2005


Adeus

Prefiro-te assim:
Estático
Monolítico
Passado
A ler tuas palavras
Perversas
Vertidas de teu granito
Tramando
Atrevidas
No que restou de mim