Quarta-feira, Março 14, 2012


Esta sou eu



Sou eu que carrego nas mãos

um punhado de cinzas

outro de flor de laranjeiras

Eu que fui com o vento

e dancei a nota bemol

daquele sopro de flauta

perdido na música

Fui eu que sonhei

buscar todas estrelas insensatas

viajei até a luz que cai

depois acaba em rodamoinhos

Fui eu que voei

até a voz dos violinos

e disse adeus

a ópera da vida

Assim... sozinha

meu coração se aquieta

e confia!

2010




Poesia

É com coragem

que te prendo

em meus dedos

e te arranco

gota a gota

do coração

feito sangue

é com coragem

que te entrego

a alma sem razão

feito grito


Sheila Pavanelli

Sábado, Março 03, 2012

Karma



Depois que ele foi embora veio o amargo na boca.

Gosto de angústia ou desespero.

Então, aquela estória de almas gêmeas era tudo balela?Pura enganação mesmo?

Sim... verdadeira enganação que fazemos para nos mesmos sempre que queremos nos iludir.

Que grande engano.

Sêres humanos tem a mania de viver se enganando Quando a estória fica difícil, logo iniciam um subterfúgio de Vidas Passadas...Karma...etc.

Na verdade, Karma é outra coisa.

Outra coisa bem mais importante e profunda do que desculpinhas furadas.

Ele dizia-se espiritualista.

Até ensaiava uns discursinhos vez em quando. Ela, ingênua completa, ouvia com cara de pastel, tentando enganar-se para continuar a "pecinha teatral" de amor eterno que montava na cabeça.

Depois, quando não foi mais interessante para ele: Deu o fora!

Foi embora.

Ficou só o cheiro dele na fronha e aquele amargo na boca que não sai nunca.

Mas... (ela questionou) não me disseste que nosso amor era eterno?

-É Karma... (ele respondeu), nosso amor é cheio de karma...não é para esta vida.

-É... quem sabe numa próxima vida,né?

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Perfídia

bebo a perfídia

na fonte da tua boca

palavra

doce

picada ao som

de um veneno

lento

2006

Maresia


foi entorpecimento
cicuta fina
inoculada
no desejo macho
da maresia

foi feitiçaria
poção marítima
lenta e única,
seiva doce
vinda dos coqueiros


2007

Domingo, Agosto 10, 2008

Sábado, Setembro 30, 2006

Vôo



Folhas balançam
contra o vento das horas
vibra vivo o pensamento
até a flor da primavera

Desenho na janela pequenina
o vôo dos pássaros
desafiando séculos
e fios elétricos

As aves brincam livres
em bandos
barulhentos

trespassam o tempo
a melodia do vento
doce e quente

livre a vida passa

na ponta do lápis
te desenho,
vôo

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Mar





se existisse,
de repente
uma onda de mar
que te alcançasse

uma costa de mar
um triste porto
onde atirado fosse
o meu corpo

se soprasse
seu hálito
como vento
no meu coração,

aportaria como a ave
busca o ninho
tocando seus lábios
como a brisa

Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Impossível



Guardo todos antigos beijos
que não lhe dei
alma minha amada
de mim separada


Na lembrança
trespasso meus dedos
nas suas mãos queridas
distantes de mim

E num gesto impossivel
afago-lhe a face
transversa no tempo
meus olhos nos seus olhos
assim

Terça-feira, Julho 19, 2005

Vidraças


Quebrar as vidraças
abrir sua janela
romper a indiferença feito raio
desmanchar as artimanhas
dissolver suas defesas

Incidir em sua mente
como o sol
brilhar
refletir sua verdade
desarmar seus artifícios
desnudá-lo de si mesmo

Sou seu sono inquieto
os tremores ocultos
seu desassossego
que lhe rouba a calma
que lhe diz jamais

Sou a face feita sol na sua alma
Fogo e vento
Que estilhaça seus vitrais

Domingo, Março 27, 2005

Aço



O dia vem
amargo e doce
derrama sobre a terra
indomável
o fogo eterno

Amanhece como sol e aço

Vem com imensa boca
De fornalha
a transformar lágrimas
em chamas

Calcina o homem qual ferreiro enlouquecido

Vem em estilhaços
derretidos na gente
fora da gente
numa guerra metálica
de luta por um dia

O dia vem e Tudo devora e maltrata

Mata em febre
o pobre que cantava
forja em aço
os sonhos de um menino

O dia cresce
sempre

Quinta-feira, Março 17, 2005

Sinos




Dobrem,sinos
dobrem
sem cessar


Despertem
Insistam
Afastem esta noite medonha

Gritem
Espantem
A minha agonia

Chamem
Atormentem
Preciso acordar

Soem
Rebentem
Tirem-me desta aflição

Explodam
Em mil pedaços
Minhas correntes!

Sábado, Março 12, 2005

Fome

Fome

Não como
Estas migalhas
Vindas do acaso
De tuas mãos

Minha fome
Não é submetida
Ao desdém
De tua generosidade

Domingo, Março 06, 2005


Adeus

Prefiro-te assim:
Estático
Monolítico
Passado
A ler tuas palavras
Perversas
Vertidas de teu granito
Tramando
Atrevidas
No que restou de mim